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Vol. 95. Núm. 4.
Páginas 508-510 (01 Julho 2020)
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Vol. 95. Núm. 4.
Páginas 508-510 (01 Julho 2020)
Dermatologia Tropical/Infectoparasitária
DOI: 10.1016/j.abdp.2020.05.018
Open Access
Monitoramento epidemiológico dos indicadores de magnitude da hanseníase em Sergipe (2001‐2015): análise por regressão segmentada
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Carlos Dornels Freire de Souzaa,
Autor para correspondência
carlos.freire@arapiraca.ufal.br

Autor para correspondência.
, Thiago Cavalcanti Leala,1, João Paulo Silva de Paivaa, Victor Santana Santosb
a Departamento de Medicina, Núcleo de Estudos em Medicina Social e Preventiva, Universidade Federal de Alagoas, Arapiraca, AL, Brasil
b Núcleo de Epidemiologia e Saúde Pública, Universidade Federal de Alagoas, Arapiraca, AL, Brasil
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Estatísticas
Figuras (1)
Tabelas (1)
Tabela 1. Indicadores epidemiológicos e operacionais selecionados para o estudo
Resumo

Objetivou‐se analisar a tendência dos indicadores de magnitude da hanseníase em Sergipe, de 2001 a 2015. Estudo de séries temporais. Foram analisados os coeficientes de detecção geral, em menores de 15 anos e de casos com grau 2 de incapacidade física. Empregou‐se o modelo joinpoint regression. Dois (2,6%) municípios apresentaram crescimento da detecção geral, cinco (6,6%) da detecção em menores de 15 anos e 19 (25,3%) do coeficiente de indivíduos com grau 2. Os achados sugerem manutenção da cadeia de transmissão.

Palavras‐chave:
Epidemiologia
Estudos de séries temporais
Hanseníase
Texto Completo
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A hanseníase é uma doença infectocontagiosa causada pelo Mycobacterium leprae1 que afeta a pele e os nervos periféricos, resulta em lesões neurodermatológicas e incapacidades físicas.2

O Brasil é o único país que ainda não alcançou a meta de eliminação da hanseníase enquanto problema de saúde pública.3 Somente em 2017, 26.875 novos casos da doença foram diagnosticados no país (12,94/100.000 habitantes). Desses, 1.718 eram pacientes com menos de 15 anos (3,72/100.000 mil). O coeficiente de indivíduos com grau 2 de incapacidade física foi de 9,39/100.000.4

Naquele mesmo ano, Sergipe registrou um coeficiente de detecção de 15,78/100.000 habitantes na população geral, 2,75/100.000 em menores de 15 anos e uma taxa de grau 2 igual a 16,61/100.000.4 O monitoramento desses indicadores é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS),5 tendo em vista os compromissos assumidos pelo Brasil.

Com base no exposto, este trabalho objetivou analisar a tendência dos indicadores de magnitude da hanseníase no Estado de Sergipe de 2001 a 2015.

Trata‐se de um estudo ecológico de séries temporais, tem como unidades de análise os municípios sergipanos (n = 75). Os dados foram obtidos do Sistema de Informações sobre Agravos de Notificação (Sinan) (http://sinan.saude.gov.br/sinan). Foram analisados três indicadores: coeficiente de detecção de casos novos de hanseníase na população geral/100.000, em menores de 15 anos/100.000 e de indivíduos com grau 2 de incapacidade física no diagnóstico/100.000 (tabela 1). Para a análise temporal, empregou‐se o modelo joinpoint regression. Calculou‐se a variação percentual anual (APC, do inglês, annual percent change) e a variação percentual anual média (AAPC, do inglês, average annual percent change). Considerou‐se intervalo de confiança de 95% e significância de 5%. Por usar dados secundários, a apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa foi dispensada.

Tabela 1.

Indicadores epidemiológicos e operacionais selecionados para o estudo

Indicador  Utilidade  Parâmetros 
Nova taxa de detecção de casos de hanseníase na população em geral /100.000 habitantes.  Mede a força da morbidade, magnitude e tendência da doença  Hiperendêmico: ≥ 40,0/100.000 hab. 
    Muito alto: 20,00‐39,99/100.000 hab. 
    Alto: 10,00‐19,99/100.000 hab. Médio: 2,00‐9,99/100.000 hab. 
    Baixo: < 2,00/100.000 hab. 
    Muito baixo: 20,00‐39,99/100.000 hab. 
Nova taxa de detecção de casos de hanseníase na população abaixo de 15 anos/100.000 habitantes.  Mede a força da transmissão recente da doença e sua tendência.  Hiperendêmico: ≥ 10,00/100.000 hab. 
    Muito alto: 5,00‐9,99/100.000 hab. 
    Alto: 2,50‐4,99/100.000 hab. 
    Médio: 0,50‐2,49/100.000 hab. 
    Baixo: < 0,5/100.000 hab. 
Taxa de novos casos de hanseníase com grau II de incapacidade física no momento do diagnóstico/100.000 habitantes.  Avalia as deformidades causadas pela hanseníase na população em geral e as compara com outras doenças debilitantes.  A tendência de redução da taxa de detecção, seguida pela diminuição deste indicador, caracteriza uma redução na magnitude do endemismo. 

No período estudado foram diagnosticados 8.238 novos casos de hanseníase, dos quais 6,25% (n = 515) eram menores de 15 anos e 7,27% (n = 599) apresentavam grau 2 de incapacidade física. Dos 75 municípios de Sergipe, apenas dois apresentaram tendência de crescimento em relação ao coeficiente de detecção geral: Carira (AAPC = 59,2%) e Moita Bonita (AAPC = 27,3%). Oito municípios apresentaram comportamento temporal decrescente (Canindé do São Francisco, Cumbe, Estância, Ilha das Flores, Japoatã, Santa Luiza do Itanhy, Santana do São Francisco e Santo Amaro das Brotas). Nesse grupo, a redução média anual foi de 22,56% (fig. 1).

Figura 1.

Distribuição espacial dos percentuais de variação médios anuais e classificação da tendência dos indicadores de magnitude da hanseníase em Sergipe, Brasil, 2001‐2015.

AAPC, variação percentual anual média (do inglês, average annual percent change).

(0,39MB).

Em relação ao coeficiente de detecção em menores de 15 anos, cinco municípios apresentaram tendência de crescimento (Carira, Itabaianinha, Pacatuba, Poço Verde e Salgado), com destaque para Carira (AAPC = 56,2%). Apenas Aracaju (AAPC = −8,8%) e Malhada dos Bois (AAPC = −2,0%) apresentaram comportamento decrescente. Para a taxa de grau 2, 19 municípios apresentaram tendência de crescimento, destacaram‐se Propriá (AAPC = 50,0%) e Divina Pastora (AAPC = 38,30%). Nenhum município apresentou tendência de redução desse indicador. Esse grupo apresentou crescimento médio de 29,3% (fig. 1).

Embora a carga da hanseníase tenha reduzido ao longo dos últimos anos,2,3 recentes investigações sugerem que o número de doentes registrados nos sistemas oficiais de informações é substancialmente menor do que o número de pessoas doentes no país.6 Estudos em áreas consideradas de baixa endemicidade evidenciaram subdiagnóstico e, por conseguinte, elevada prevalência oculta da doença.7,8

O maior número de municípios com tendência de crescimento da detecção em menores de 15 anos (n = 5) e de indivíduos com grau 2 de incapacidades físicas (n = 9) quando comparados ao de municípios com tendência de crescimento do coeficiente de detecção geral (n = 2) aponta para a manutenção da cadeia de transmissão da doença no Sergipe, prevalência oculta, subdiagnóstico e falhas nos sistemas de vigilância da doença nos municípios.1,3,9 O descompasso entre os três indicadores já foi evidenciado em investigações feitas nos estados da Bahia9 e de Alagoas,10 que se limitam geograficamente com Sergipe.

O coeficiente de casos novos com grau 2 de incapacidade física é um dos mais importantes indicadores para avaliar a doença e sugere diagnóstico tardio de hanseníase.3 Em Sergipe, os municípios com tendência de crescimento desse indicador devem receber atenção especial por parte do poder público, sobretudo por meio de ações que permitam o diagnóstico precoce dos casos.

A despeito dos avanços observados na redução da detecção geral e em menores de 15 anos, a hanseníase ainda representa um problema de saúde pública em Sergipe.

Suporte financeiro

Nenhum.

Contribuição dos autores

Carlos Dornels Freire de Souza: Análise estatística; aprovação da versão final do manuscrito; concepção e planejamento do estudo; elaboração e redação do manuscrito; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação efetiva na orientação da pesquisa; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica da literatura.

Thiago Cavalcanti Leal: Análise estatística; aprovação da versão final do manuscrito; concepção e planejamento do estudo; elaboração e redação do manuscrito; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação efetiva na orientação da pesquisa; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito.

João Paulo Silva de Paiva: Análise estatística; aprovação da versão final do manuscrito; concepção e planejamento do estudo; elaboração e redação do manuscrito; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação efetiva na orientação da pesquisa; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito.

Victor Santana Santos: Análise estatística; aprovação da versão final do manuscrito; concepção e planejamento do estudo; elaboração e redação do manuscrito; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação efetiva na orientação da pesquisa; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito.

Conflitos de interesse

Nenhum.

Referências
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Evidence of hidden leprosy in a supposedly low endemic area of Brazil.
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Prevalence of leprosy, degree II of physical incapacity and proportion of multibacillary cases: a paradox that evidences late diagnosis and hidden prevalence?.
R Epidemiol Control Infec., 9 (2019), pp. 1-6
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C.D.F. Souza, T.C. Leal, J.P.S. Paiva, E.M.C.F. Araújo, F.G.B. Santos.
Pseudo elimination of leprosy in a northeastern Brazilian state: analysis from regression by points of inflation and local empirical bayesian model.
R Epidemiol Control Infec., 9 (2019), pp. 1-15

http://lattes.cnpq.br/6453724595999982.

Como citar este artigo: Souza CDF, Leal TC, Paiva JPS, Santos VS. Epidemiological monitoring of leprosy indicators in Sergipe (2001‐2015): segmented regression analysis. An Bras Dermatol. 2020;95:508–10.

Trabalho realizado no Departamento de Medicina do Núcleo de Estudos em Medicina Social e Preventiva da Universidade Federal de Alagoas, Arapiraca, AL, Brasil.

Copyright © 2020. Sociedade Brasileira de Dermatologia
Idiomas
Anais Brasileiros de Dermatologia (Portuguese)

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