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Vol. 95. Núm. 4.
Páginas 477-479 (01 Julho 2020)
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Vol. 95. Núm. 4.
Páginas 477-479 (01 Julho 2020)
Caso Clínico
DOI: 10.1016/j.abdp.2020.05.003
Open Access
Linfangioma atípico e hiperceratose em paciente com obesidade mórbida
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Cristian Morán‐Mariñosa,
Autor para correspondência
cp.moran94@gmail.com

Autor para correspondência.
, Wendy Nieto‐Gutierrezb, Josmel Pacheco‐Mendozaa
a Unidade de Pesquisa em Bibliometria, Universidad San Ignacio de Loyola, Lima, Peru
b Instituto de Avaliação de Tecnologias e Investigação em Saúde, Seguro Social de Salud del Perú, Lima, Peru
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Figuras (2)
Resumo

O linfangioma é um tumor raro e pouco estudado, geralmente detectado na primeira década de vida; seu surgimento é raro em adultos. Relatamos o caso de um homem de 51 anos com obesidade mórbida que apresentou, nos últimos oito meses, lesões tumorais múltiplas e assimétricas com extensão à região escrotal. O diagnóstico de linfangioma circunscrito com infecção foi confirmado. Neste relato é apresentado caso pouco frequente de linfangioma circunscrito.

Palavras‐chave:
Ictiose
Linfangioma
Obesidade mórbida
Texto Completo
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Introdução

O linfangioma circunscrito (LC) é pouco frequente e geralmente se desenvolve de forma congênita. Até 90% dos casos são detectados na primeira década de vida; no entanto, ele também pode se desenvolver na idade adulta1.

No adulto, o LC geralmente aparece em áreas afetadas por trauma, infecção ou radiação, mas também é relatado espontaneamente2. É descrito clinicamente como pápulas elevadas e verrucosas ou vesículas firmes com superfície lisa. O LC é classificado como placa, caracterizado por seu conteúdo linfático. O exame histopatológico apresenta vasos linfáticos dilatados na derme papilar que elevam a epiderme acima da pele circundante2.

Relatos de linfangiomas de grande volume são muito raros na literatura.

Relato do caso

Um homem de 51 anos, peruano, com histórico de insuficiência hepática e obesidade mórbida, foi transferido para o pronto‐socorro devido à presença de pequenas lesões tumorais na região pubiana, que tiveram um aumento considerável de tamanho, em intervalo de oito meses de evolução.

Ao exame físico, foram evidenciadas múltiplas lesões púbicas com aparência cística, conglomeradas, com bordas elevadas e umbilicadas, cujo diâmetro era de até 13cm × 7cm; através de seus orifícios, eliminavam exsudato purulento e com odor fétido. As lesões se estendiam para a região escrotal, onde estavam associadas a vesículas agrupadas que sangravam durante a mobilização (fig. 1).

Figura 1.

Lesões múltiplas e agrupadas de tamanho irregular com secreção purulenta.

(0,13MB).

Os membros inferiores apresentavam placas escamosas e rachadas, com hiperqueratose de consistência dura devido a linfangite crônica.

O diagnóstico de LC foi confirmado pela histopatologia (fig. 2). O paciente foi tratado com curativos diários e antibióticos como oxacilina e clindamicina durante a internação hospitalar. Após duas semanas de tratamento, a evolução do paciente foi favorável, com diminuição no tamanho das lesões nas regiões pubiana e escrotal; no entanto, devido à doença hepática subjacente, faleceu um mês antes de ser submetido à cirurgia.

Figura 2.

Proliferação de vasos linfáticos dilatados com paredes finas e irregulares, revestidas por células endoteliais tumefeitas na derme e com agregados linfocitários típicos; histopatologia (Hematoxilina & eosina, 10×).

(0,14MB).
Discussão

O linfangioma é uma tumoração pouco frequente e benigna do sistema linfático, que pode ser classificada de acordo com o tamanho ou a profundidade da lesão. Embora os autores relatem que esse tumor seja de grande volume, ele não tem potencial maligno; o aumento de tamanho é explicado por sua capacidade de ramificar‐se e crescer de maneira desordenada.3

As localizações mais frequentes são extremidades, pescoço e tronco; o aparecimento na região escrotal é raro.4 As lesões descritas em nosso paciente não são aquelas geralmente mencionadas na literatura; é preciso considerar o tempo de evolução da doença e a presença de infecção associada e obesidade mórbida, o que provavelmente contribuiu para a magnitude do volume e expansão. Além disso, observou‐se redução significativa do tamanho e da secreção das lesões com o uso de antibióticos e curativos diários.

O médico deve considerar as características das lesões, que podem ser confundidas com condiloma acuminado, molusco contagioso ou herpes. Uma inspeção completa e um histórico clínico adequado podem excluir esses diagnósticos diferenciais.5

Nos linfangiomas, o tratamento básico sem risco de infecção envolve o uso de ressecção cirúrgica, laser de CO2 ou escleroterapia. No entanto, existe a possibilidade de uma regressão espontânea após três meses, que ocorre apenas no linfangioma macrocístico; nos demais, há risco de recorrência entre seis meses a seis anos.6

A biópsia foi considerada de valor limitado, por não ser representativa, uma vez que algumas características histopatológicas não eram semelhantes às relatadas em outros estudos.5 O paciente faleceu antes que a coleta fosse repetida na região escrotal.

Em resumo, o linfangioma é um tumor infrequente em adultos; os autores inferem que o tempo de evolução, infecção e obesidade mórbida do presente paciente podem ter contribuído para as manifestações clínicas atípicas descritas.

Suporte financeiro

Nenhum.

Contribuição dos autores

Cristian Morán‐Mariños: Aprovação da versão final do manuscrito; elaboração e redação do manuscrito; obtenção, análise e interpretação dos dados; participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito.

Wendy Nieto‐Gutierrez: Aprovação da versão final do manuscrito; elaboração e redação do manuscrito; crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito.

Josmel Pacheco‐Mendoza: Aprovação da versão final do manuscrito; elaboração e redação do manuscrito; revisão crítica da literatura; revisão crítica do manuscrito.

Conflitos de interesse

Nenhum.

Referências
[1]
M. Wassef, F. Blei, D. Adams, A. Alomari, E. Baselga, A. Berenstein, et al.
Vascular anomalies classification: recommendations from the International Society for the Study of Vascular Anomalies.
Pediatrics., 136 (2015), pp. e203-e214
[2]
I.W. Whimster.
The pathology of lymphangioma circumscriptum.
Br J Dermatol., 94 (1976), pp. 473-486
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S. Mardekian, J.K. Karp.
Lymphangioma of the palatine tonsil.
Arch Pathol Lab Med., 137 (2013), pp. 1837-1842
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F.M. Kohn.
Lymphangioma circumscriptum.
MMW Fortschritte der Medizin., 158 (2016), pp. 59-60
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P. Zaballos, L.J. Del Pozo, G. Argenziano, I.K. Karaarslan, C. Landi, A. Vera, et al.
Dermoscopy of lymphangioma circumscriptum: a morphological study of 45 cases.
Australas J Dermatol., 59 (2018), pp. e189-e193
[6]
M. Kato, S. Watanabe, R. Kato, H. Kawashima, T. Iida, A. Watanabe.
Spontaneous regression of lymphangiomas in a single center over 34 years.
Plast Reconstr Surg Glob Open., 5 (2017), pp. e1501

Como citar este artigo: Morán‐Mariños C, Nieto‐Gutierrez W, Pacheco‐Mendoza J. Atypical lymphangioma and hyperkeratosis in a patient with morbid obesity. An Bras Dermatol. 2020;95:477–9.

Trabalho realizado na Universidade San Ignacio de Loyola, Lima, Peru.

Copyright © 2020. Sociedade Brasileira de Dermatologia
Idiomas
Anais Brasileiros de Dermatologia (Portuguese)

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